Vocación

27 01 2012

.

Intento ocultar mis desencantos,

la necesidad de ampararme,

de tener donde ocultarme,

de cambiar sin previo aviso.

 .

No seré tan fuerte cuanto deseo.

Ni siquiera tengo cierta la razón de serlo.

Soy la cara más disfrazada

de una debilidad más popular

de lo que me imagino.

 .

Me duele el dolor ajeno.

Me duele ver tanto descontento.

Tantas historias con detalles miserables.

Me duele no saber lo que tengo.

 .

Por momentos, mi agonía se esconde

y me deja ser feliz por engaño.

Vivo el día de las mañanas y tardes,

dejo la noche para mis sueños.

 .

Hasta que mi complejidad recupera aliento.

Me trae todas las penas del mundo.

Me enseña que el sufrimiento

será siempre compañero

de los que esperan y de los que piensan.





Una boca y dos oídos

1 08 2011

.

El mundo

que nunca fue color de rosa

ni azul submarino,

sigue en constantes mutaciones,

mezclas y separaciones,

casi nunca aleatorias.

 .

Algunas mudanzas,

más intensas y prodigiosas,

suelen dejar destapada

la naturaleza de los payasos,

el desmérito de los cobardes

y la hipocrisia del mal carácter.

.

Quizás necesite una guerra

o la oleada de un gran crack

Quizás la muerte premeditada

sea la única forma de callar

el exceso de ventaja

en estas bocas cargadas

de ignorancia.

 .

Pero acabar con el prejuicio,

el egoísmo y la arrogancia

no es tarea fácil ni para Albert

ni para cualquier experto

en transformaciones atómicas.

 .

Cuántas generaciones más

tendremos que soportar

hasta que los ADNs reflejen

una consistente evolución humana?

Cuánta información manipulada,

olvidada, desechada

tendremos que tragar

en pequeños botes anestésicos

y falsas pinturas de ventanas,

hasta que toda esta cortina de humo

y los presuntos fantasmas vengan abajo?

 .

Lo cierto es que entre tantos zombís

y gananciosos coléricos

aún queda gente sana.

Gente capaz de decir la verdad

y vivir en la verdad.

De defender sus ideas

más allá de su jardín.

Y cada vez que haga falta,

establecer un tono de equilibrio

que nos introduzca en un nuevo ciclo.





¿Sabes qué?

18 06 2011

.

No estoy hecha de plomo.

No fue esta la vida que elegí.

No me inventé este personaje

autónomo e insensible.

No tengo todas las respuestas del mundo.

No tengo ni las respuestas básicas

Para calmar mis dudas más absurdas.

 .

Por qué tengo que soportar

tantas nomenclaturas?

Miradas de simples conjeturas.

 .

Mis debilidades son iguales,

quizás peores que las de cualquier otro.

Mi sonrisa es un disfraz, un fotograma único.

 .

Mis objetivos no son más que excusas

para disimular mi carácter inseguro.

No soy tan paciente cuanto ejecuto.

 .

No soy la elegida

ni el alma altruista que creen algunos.

Estoy harta de controlar mis impulsos.

 .

De que me sirve equilibrar mi entorno

Si padezco de esta insaciable carencia?

No sé vivir sola y además no me importa

si la compañía no es de mi estatura.

 .

Porque de todos mis errores,

creer en el amor fue el más peligroso.





Razões e desabafos

17 04 2011

.

A poesia não é meu cultivo de sentimentos,

mas a maneira que encontrei

de me libertar dessa ânsia de sentir.

É meu divã, meu diário aberto e bem resolvido.

Uma eficaz e cotidiana válvula de escape.

A solução mais rápida

para acalmar o drama em excesso

que dificulta minha caminhada.

A tradução mais enfeitada e sutil

da minha face mais intensa e desgovernada.

São os pingos nos is de todos os discursos silenciados.

Meu grito de basta! De faça! De graça.

Minha bolsa carregada de acontecimentos

que se juntam em retalhos curiosos e ordenados.

 .

É totalmente inofensiva para os amantes da verdade,

um labirinto confuso para os covardes,

um convite seguro para um coração naufragado.





Ainda tento

6 03 2011

.

Tento relembrar para não esquecer onde errei.

Tento esquecer para tentar me perdoar.

Tendo entender porque ainda não me perdoei.

Tendo ser a perfeição em tudo aquilo que falhei com você,

desejando que um dia você descubra minha nova conduta.

Tendo dormir cada noite e não sonhar com você.

Às vezes, consigo não ter pesadelos.

Tento respirar normalmente,

como se o oxigênio fosse farto e generoso

com uma alma inquieta feito eu.

Tendo me perder nos problemas alheios,

pedindo minha redenção através do exemplo.

Tento não pedir ajuda a Deus

e respeitar o livre arbítrio que Ele te deu.

Tento ser ela, vestir a face que te devolveu esperança e felicidade.

Tento imaginar sua felicidade e ser feliz por você.

Tento silenciar o que sinto até de mim mesmo.

E de tanto tentar, já sou quase invisível.





Esquecimento

15 02 2011

.

Tento lembrar, mas não lembro.

Aquele ponto parágrafo,

minúsculo e transitório.

Um divisor de mágoas,

importante por si próprio.

Polêmico e inesperado.

Desejado e rejeitado

em um só golpe.

Queria tanto lembrar

por quais linhas tortas

ele insinuou minha reviravolta,

mas não lembro.

As velhas palavras ajudam,

resgatam argumentos,

encaixam os acontecimentos

mais descabidos,

servem de verdadeiros amuletos

contra erros repetidos.

Mas continuo sem memória.

Os anos passam

e borram ainda mais

sua caligrafia disforme.

Em breve, talvez passe

de um simples esquecimento

para um nunca ter existido.

E assim, quem sabe,

meu vazio indecifrável

se converta em perdão de outrora.





Encontro desmarcado

22 01 2011

.

Que adianta fugir

e adquirir forçosas e deslumbrantes máscaras.

experimentar os limites opostos

da dor e do perdão,

da sede de desejo e rejeição.

Ver sofrer a mais de um

e simular o sofrimento

que verdadeiramente sinto

por motivos contrários à minha razão.

 .

Que adianta calcular

tantos dias de abnegação,

acreditando ser possível

se transformar em pessoa imune.

Resistente aparência que ilude

apenas a superfície das relações.

 .

Que adianta defender

teorias fáceis e facilitadoras,

regras ditadas por gente inocente,

e comprovadas por mentiras disfarçadas,

jogos de tentar justificar aquilo que não somos.

 .

Que adianta seguir os conselhos do meu eu

Confuso, dentro da sua maturidade exigida.

Perverso, traduzido em bondade assistida.

Solitário, em meio a tanto auto-controle.

 .

Que adianta ser feliz,

se conto os minutos para sentir o sabor

agridoce das minhas próprias ilusões,

sem ruídos ou tatuagens,

apenas eu, você e uma história guardada.

 .

Que adianta ser tudo isso,

vencer, sofrer, vencer,

concluir atos inteiros de peregrinação,

fechar conceitos, dar conselhos de superação,

vender o que não acho que sou.

 .

Que adianta fechar os olhos uma noite

e projetar um futuro diferente,

sem sua presença entre as linhas

mais suaves do meu corpo.

Se ao abrir, você reaparece idêntico,

coincidindo com meu ar, meu chão,

destapando as armadilhas que tenho preparadas.

.

Como é possível você saber

que depois de tanto tempo,

eu seguiria ali, sentada,

algo mais séria, blasfêmica,

mas com a mesma essência

que tanto tentei te explicar.

 .

Como queria te dizer

que esse lugar já está ocupado,

que as regras do jogo mudaram

e nada do que me dissesse mudaria meu estado.

E finalizar com um simples:

Por favor, volte ao seu lugar,

que meu passado tem dono,

mas o meu presente acaba de começar.





Bandeira branca

6 12 2010

.

Uma hospedeira,

que absorve, recicla e devolve

em formatos sutis

essa matéria invisível,

reflexos de uma sombra infeliz.

 .

Tão permeável fica

que sua imunidade se transforma

em honestidade infantil

regada a contidas horas de choro.

 .

Ter consciência disso,

Não lhe constrói mais janelas,

Nem grades, nem portas

Apenas pontes movediças.

 .

Acessos pouco controlados,

não por falta de vigilância

ou astuta estratégia de defesa

só uma voluntária insistente

em meio a batalhas internas.





Agnosticando

20 11 2010

.

Descubrí la fe

En mis dudas matinales

En mi incertidumbre diaria

En mi blasfemia ensayada

 .

Descubrí que la fe

es simplemente y nada más

lo de seguir adelante

sin mirar hacia tras.

 .

Es filtrar o resignificar

lo que creen los demás

porque la fe ajena

es impropia e impersonal.

 .

Es creer en lo que no puedes ver

o dividir con quien sea.

Tener fe es estar solo,

sin imágenes o misterios.

Es elegir un camino

y caminar con tu instinto

entre vallas, desiertos

o lenguas afiladas.

 .

Es arriesgarte a juris populares,

con miradas irónicas,

risas histéricas,

condenas precipitadas.

 .

Tener fe

Es no pensar en milagros

porque cuando los necesitas

es que la fe ya no te basta.





Liberdade

23 09 2010

.

Acaso não sou esse despropósito

de desejos inconstantes,

ora justos e sanos,

ora inundados de vazios indecifráveis.

 .

Importantes ou transitórios,

são impulsos meus,

que não carecem de vasta explicação

ou simples notas de roda pé.

 .

Para entender tamanha itinerância,

não bastam estudos de campo,

ponderações estatísticas,

comparações preliminares.

 .

Como um pássaro enjaulado,

qualquer catálogo sugerido

o reduz a vôos frustrados

e capacidades subestimadas.

 .

O significado real dessa ânsia

está nas irregulares mutações

que atormentam e estimulam

meus pensamentos diários.

 .

Uma frondosa oferta

que nutre, acalma e liberta

meu espírito ameaçado

pela epidemia das banalidades.





Outras Idéias

30 08 2010

.

Algumas idéias,

simples, desprotegidas,

são visíveis aos olhos distraídos

dos corações mais puros

.

Rápidas de resumir, reproduzir

Fáceis de comparar e encarcerar

no universo controlado

dos conceitos cotidianos.

.

Idéias previsíveis, seguras

Que não ofendem e não curam.

Argumentos testados,

frases de impacto,

resultados verossímeis

.

Outras idéias,

Imperfeitas e descabidas

Desordenam e invalidam

uma linha inteira de raciocínio

.

Seu mérito ou sua condena

não está na inspiração criativa,

nem na descoberta massiva

de soluções revolucionárias

.

São perigosas e atraentes

porque nasceram imunes,

sutis, desconcertantes

e acima de qualquer censura.





Poema 54

30 06 2010

.

El drama está para la poesía

Como el desierto para el camello

Sin él no habría sentido

Elegir el camino más tenso

 .

Pero a cierta altura de la vida

Cuando los motivos ya son festejos

Y la alegría una sencilla rutina

de estas que saben a caramelos

 .

Cuando los conflictos vuelven a su sitio

de los pequeños problemas ajenos

Y lo más grave que te preocupa

Es la hora de echarte una siesta

 .

La sonrisa vuelve a tu mirada

y tu mirada vuelve a tu cocina

y los sonidos que oyes por la calle

saben a pequeños y delicados pajaritos

 .

En este día y solamente en este

El drama se transforma en sentimiento

Inofensivo y casi desconocido

Con olor a equilibrio y rosa mosqueta

 .

Y la poesía llena de lágrimas inventadas

Por fin da la vuelta en si mismo

Y exhibe su piel más domesticada,

con sabor a peluche manchego





Palavras inválidas

19 06 2010

.

Às vezes, as palavras não me acompanham

Lentas e plácidas, se enroscam no caos perene

das minhas desconcertantes lembranças

 .

É tanto sentimento por sentir

Que rompe a lógica das orações,

a cadência programada do alfabeto romano

 .

É tanto dizer sem porvir,

Vontade sem campo, espaço sem grãos

Que parece inútil buscar sinônimos

 .

Ordenar, talvez, seja o insulto mais grave

que eu possa cometer com razão

e contra minha lucidez sem nome

 .

Dizem que preciso aparar as pontas,

limpar a seca rama que persiste em viver

pese aos maus tratos cotidianos

 .

Dizem que necessito limpar meu armário

e tirar todos os pequenos rastros

de vida incompleta e confusa

 .

Se vou por essa via tão harmônica

de linhas retas, numéricas,

sequência de atos comedidos

 .

Se aceito essas regras

e armazeno essa energia desmedida

em pequenos potes de açúcar

 .

O que me resta

Não são mais que ensaios supérfluos

De um instinto outrora viril e verossímil

Palavras a mais





Verdades e mentiras

30 05 2010

.

Já não tenho esse direito

de ser frágil, ingênua,

feliz porque sim,

porque não me permito

 .

Quem me roubou esse desejo,

de explodir de alegria,

sem me ferir com sua euforia

generosa e simplista

 .

Sem questionar sua autoria

Suas leis sem fundamentos

Suas justificativas vazias

Sua insensatez em cada momento

 .

Vinte e quatro horas me bastariam

para apreciar o céu descoberto

e desfrutar dessa fé descabida,

mas alguém parou meus ponteiros

 .

O céu que se abre

vem sempre acompanhado

de avisos premonitórios,

dados subliminares,

mensagens entrelinhas

 .

Cada dia mais claros,

cada signo mais nítido

E a fantasia que eu alimentava

se transforma pouco a pouco

em um castelo de ironia





Express Ideas I

30 05 2010

.

O homem criou as palavras, mas esqueceu de traduzir o silêncio.

 .

A arte não deve ser entendida, pois revela um desabafo que só pertence ao artista.

 .

Crio meus próprios obstáculos para saber como vencê-los.

 .

Vivem em sociedade é uma arte. Principalmente, dramática.

.

Não tenho medo da folha em branco, mas do que posso fazer com ela.

.

A paixão é como uma fruta. No início, tudo são flores e quando você vê que está madura, cai do pé.

 .

Gosto de pensar que o medo me impede de fazer muitas coisas. Mas, às vezes, é só preguiça.

.

 A imaginação é uma cocha de retalhos que costuramos de olhos fechados.

.

Cansei das frases de efeito. As cheias de defeitos são mais verdadeiras.





Romântica?

30 05 2010

.

Sou filha do Cazuza e neta dos Rolling Stones

Sou da era do fast food e fast word

Só sei fazer zapping

Com duas ou três fontes de download

 .

Sou prática, resolutiva

Não vejo meu futuro nas cartas,

não leio meu horóscopo do dia

Meu sutiã já nasceu queimado

Meu biquini cabe na palma da mão

 .

Sou globalizada,

não tenho fronteiras

Minhas bandeiras não são partidárias

Não confesso meus pecados,

Por medo de que sejam em vão

 .

Minha letra não é rebuscada,

no máximo, um rabisco comum

Tenho a pele bronzeada

dos dias de praia

que troquei pela bucólica

paisagem do campo

 .

Não conto meus segredos

ao meu diário,

escrevo em outros planos  

Quando vou ao toalete,

minhas amigas não me acompanham

 .

Sou insensível aos tons agudos,

aos falsos e aos mudos

Sim, é verdade, choro vendo filme

Até dos mais bobos e previsíveis

Mas tudo tem uma explicação

Quando a TPM ataca,

meus hormônios é que mandam

 .

Então,

por que passo o dia pensando em você?

Nas maneiras de te surpreender,

de tocar seu misterioso coração

Pode parecer um clichê absurdo

Mas tudo que conheço de mim

Você foi capaz de reescrever





Un querer

30 05 2010

.

Te quiero con la totalidad

de una marea a medio palo

Que a veces rompe sus olas

en el puerto anunciado

 .

Y en otras más repetibles

Se suaviza y se esconde

en el calor de los corales

más allá de la superficie

 .

Te quiero con el mareo

de todas las vueltas que he dado

alrededor de mi mismo

y por debajo de las líneas dibujadas

 .

Y a su vez te quiero

con el equilibrio claro

de un simple náufrago

que encuentra a su brújula estimada

 .

Te quiero con los ojos abiertos

Porque veo la belleza de tus palabras

Cuando me fijas con tu mirada

Y me revelas todo su interior

 .

Y cuando cierras los ojos

Te quiero con más fervor

Porque me atrevo a mirar

La picardía de tu cuerpo

 .

Si no es de todo razonable

Los impulsos de mi querer

Tampoco son excusas

o aventuras de un cuento trivial

 .

Son pedazos enteros

de un deseo maduro y duradero,

de un libre arbitrio ponderado,

un estado sin fecha de caducidad

 .

Te quiero porque he querido quererte

Y no por el día de hoy o de ayer

Sino por toda una vida de creencia

En la nobleza de este amor





Sin más

19 04 2010

.

No sé de donde viniste,

ni como cruzaste mi camino

No conozco tus designios

Me perdí antes encontrarte.

.

Creí que conocía las palabras,

que mi ironía era mi única arma

para evitar una muerte repentina

y una entrega precipitada.

.

Pero no creí en el significado

de mis propias fantasías

Aquellas llenas de sentimientos prestados

Sin relleno, experiencias premeditadas

.

Pensé que no tuviese

Una idea clara de mis deseos

Que cualquiera pudiera acercarse

y venderme algo de misterio

.

Pensé que tenía catalogadas

Todas las especies de letrados

Todas las normas de impacto

Todas las ilusiones controladas.

.

Pero como bien puedes ver,

me equivoqué y mucho

Mi castigo fue entender

como tú y como nadie

los escalones del destino

Pero no cerrar la puerta

Para los caprichos anunciados





Sintaxe

5 04 2010

Somos esta sintaxe

de conecções químicas

hormônios em pequenas

e avassaladoras doses

Um mecanismo imperfeito

que nos une e nos engloba

Nos confunde e cria as mais

aventureiras respostas

Pensar no futuro é inútil

quando o acaso e a natureza

determinam seu rumo

sem respeitar suas dúvidas

mais caprichosas





Turismo

5 04 2010

Turismo é bom

pelo simples fato

de caminhar perdido

e a qualquer altura

saber que existe um mapa

que te encaminha até a porta





Curvas perigosas

21 02 2010

.

O que nos supera,

o que nos transborda

Incontrolável destino

Que um dia nos alenta

E no outro nos devora

.

Agonia de construir

em bases insólitas

Os passos perdidos

Em direções opostas

.

Maquiagem manipulada

Para deixar feio

o que parecia perfeito

A máscara de bandido

no lugar de um sorriso

o silêncio no lugar do vazio

.

Assumir um risco

Que não é seu

Que você não pensou,

nem cometeu

.

Por aquelas flores

Que não são frutos,

nem ramos,

nem pétalas por inteiro

.

É um acumulo de coragem

que de tanto insistir no contrário

se transforma em pequenas

vías de escape

Uma derrota mais





Sem dúvidas, nem certezas

21 02 2010

A nostalgia invisível

daquilo que não sei,

do que não fui

De todo o vazio dos caminhos

que não escolhi

A falta de certezas

sobre tudo que ainda não vi

A vontade de parar, sem mais

Sem ter que explicar

Sem ter que encontrar um motivo

que tenha sentido

no meio de tantos motivos

A solidão de caminhar sem muletas

e confrontar essas mudanças

que nunca serei capaz de conter

Porque cada dia é um novo desafio,

um perigo constante

Que não sei onde pode me levar

nem onde me encontra.

E no meio de todo esse redemoinho,

surgir inteira e verossímel

para os que duvidam

ainda mais do que eu





Chegamos

22 01 2010

.

Você se diverte, eu sei.

Aceito seu jogo,

Caio uma e outra vez na sua jaula

E as feridas que te faço

Só servem paras alimentar seu espetáculo

 .

Te provoco com minhas técnicas vencidas

Que invalidam qualquer chance de conquista

E, pior ainda,

de afastar de vez essa agonia

 .

Procuro entender os meus erros

Para justificar os seus atos

E tudo que encontro

são mais embaraços

 .

Porque disso se trata

Sem provas não há crime

Sem respostas, não há fim

Até hoje, até ontem.





Lo que voy probando

22 01 2010

.

El chocolate caliente cuando se enfría

El helado de pistacho siciliano

El rigatoni al frutti di mare mediterráneo

La tortilla de patatas del asturiano

El jamón recién cortado con dos trozos de pan

El kebab con salsa griega y ensalada árabe

Las verduras congeladas del Día

El brioche con 11% de leche en tiras

El pastizzi de ricota o guisantes

El caponata que hasta hoy no sé que significa

El mojito de mi amigo cubano

El pescado al horno de Conde Duque

Los raviolis de Ledmar Court

(…)





Homens como você

22 01 2010

.

Achei que homens como você não existissem

Tão perfeito dentro dessa modesta embalagem

Tão capaz de adivinhar meus desejos mais sublimes

Aqueles menos importantes, os mais importantes

.

Cara de bom moço,

Com palavras que não se repetem e não se confundem

Com singelos detalhes de costura

Que albergam a inocência das ruas tranquilas

.

Foi então que comecei a acreditar

nessa remota possibilidade

A ponto de ser a mocinha indefesa

Que desmaia sobre uma falsa esperança

.

Achei que homens como você não existissem

.

Que dentro dessa máscara inocente

houvesse tantos esconderijos

Que tudo que sempre sonhei escutar

terminasse em tantos silêncios

.

Pois a esse ponto cheguei

De ouvir meus suspiros em voz alta

e te atribuir os méritos de tais enganos

Agora tudo faz mais sentido.





Silêncio

15 12 2009

.

Cheguei quase sem voz

O suficiente para dizer

O que esperavam e o que ensaiei

Cheguei sem saber

O que aceitar e oferecer

.

Sem deixar ninguém saber

Que por trás dessa completa euforia

Só existe uma imunidade

Ingrata e incapaz

De aceitar qualquer estímulo

.

Já não tenho paciência de explicar

Já não quero que ninguém entenda

Porque o universo que criei

Quase ninguém entra

e aceita

.

Loucura transitória, arrogância,

Imaturidade crônica

Não importa qual a medida

Não justifica tamanha rebeldia

Pura ingratidão

.

Admito

Que sou apenas um fruto

Do zelo sincero e desmedido

De um amor incondicional

Da esperança de superar

E justificar um passado

Feroz e absurdo

.

Talvez me falte coragem

De romper os ovos no elevador

De quebrar o silêncio

E deixar que todos percebam

Que já não sou aquele projeto perfeito

De uma perfeita redenção





Quem imaginou

11 10 2009

 

Você

Uma loucura a mais

Intensa e fugaz

Que chega com o vento

E com a tempestade se vai

O contrário de mim

O que sempre faltou

E que eu nunca pensei

Antes de dormir

 

Eu

Cheia de metabolismo

Nesse profundo desejo

de ter o que não existe

Nem por direito, nem por improviso

Em contraste e sem sentido

Em busca do equilíbrio

entre a paixão descabida

e o amor comedido

 

Nós

Essa arena incapaz

De exibir um espetáculo

Descente e audaz

Logo no primeiro ato

Essa constante teimosia

De seguir por uma via

Que não promete e não cumpre

Não vive e não deixa pra trás

 

Juntos

Um advérbio em desuso

Único que explica com sucesso

O que você e eu, nós e todo mundo

Esperamos do futuro





Ainda é cedo

11 10 2009

 

Se tudo que pudesse dizer agora

fossem palavras tristes

Tristeza maior seria 

escutar meu novo dia-a-dia

e seguir me lamentando

 

Mas a palavra certa não é escolhida

Ela escolhe a nós como quem pára em uma vitrine

Que sabe a hora de chegar e ir embora

De entrar ou esperar a melhor oferta do lado de fora

 

Ela atravessa vidros embaçados

e chega aos gestos mais inibidos,

a ponto de dar um novo sentido

às imagens sem respostas

 

Com a mesma facilidade que simplica,

te conduz a um labirinto de múltiplas hipótesis

Te liberta de um sofrimento

ou te aprisiona com um não em resposta

 

Silenciosa, é ainda mais perigosa

Subentendida, não dita, maldita

É o eco das horas mais imprópias

O desassosêgo da fase conclusiva

 

É a chave e o cadeado, tudo junto

Porque se complementa em si mesmo

E quando todas as portas se abrem,

perde totalmente o sentido.

Mas ainda é cedo.





Dois minutos de silêncio

11 10 2009

 

Eu que já enterrei,

chorei por um estado de viuvez prematuro,

por um morto sem cadáver e sem razão,

estou outra vez com o negro posto

e a bandeira a meio mastro.

Dessa vez,

a morte é sobrenatural.

Morreu o fantasma que assustava

minhas tranquilas horas de sonho.

Morreu ou partiu para outra dimensão,

longe do meu pensamento mais vulnerável,

longe da minha inocente ilusão.

O que fica,

as cinzas dessa decepção,

devem ser enterradas na terra do nunca.

Onde nunca pisei

e nem sei onde se encontra.

Porque alí, o fenix que nasça,

morrerá outra vez

sem que eu me dê conta.





Feliz, às vezes

11 10 2009

 

Quanto tempo dura a felicidade?

O tempo de descubrir que aquilo que você queria

Uma vez visto, deixa de ser um querer

Os minutos seguintes a um desabafo

Quando já não resta nada pelo que sofrer

 

O momento de experimentar algo novo

E antes de lembrar que só será dessa vez

Aquele pequeno instante depois de resolver um conflito

até pensar no próximo que está adiante

 

O tempo de esperar que a adrenalina te invada

E te abandone tão rápido como chegou

O tempo que você consegue esconder

a porta de todos os seus temores

 

Os segundos exatos que chega a durar

um sorriso no seu semblante

O mesmo tempo que pode durar um pranto,

E como todo pranto, termina porque tem que terminar

Uma tempestade de emoções que logo cede passo

a um dia completamente diferente.

 

Será esse o nosso infortúnio,

Condenados a essa montanha – russa

de deslumbres e desalentos

A essa insatisfação crônica

E a esse vício de pensar que é possível

ser feliz e ponto.





Madrid

11 10 2009

 

No te echaré de menos

hasta que las hojas de cinco puntas

no se vuelvan arrugadas

Que los colores del escaparate

anuncien el fin de las rebajas

Que los helados italianos

cedan paso al chocolate de Bellas Artes

con un par de galletas de entrada

 

Te echaré de menos

cuando ya no me despierte

con la boca seca y los ojos llenos de agua

como una de tantas mujeres Almodóvar

o una visitante más que se quedó atrapada

Y no tenga más remedio que comer arroz blanco

Jamón York y tortilla sin patatas

En lugar de todos los ricos sabores

que descubrí en tus calles

 

Cuando no escuche los pajaritos del semáforo

y añore el respecto al tráfico

Como a la hora de cruzar la calle,

y me toque mirar con mucho más cuidado

Y al acordarme del respecto,

Echaré de menos a los mayores

Que van de manos dadas a sus sombreros

Para una vida llena de actividades

 

Echaré de menos y con más lamento

El amor que llegó comigo y,

Por los temblores de lo desconocido,

Dejé que se quedara

Sé que esto no es Paris y un final feliz

no se basa en un beso cinematográfico

pero si tuviera que decir

que me faltó en este folletín

entraría en las páginas rosadas





Arrumando a mala

11 10 2009

 

Pedaços repartidos de histórias inacabadas

Trechos de lembranças que persistem

Às mudanças climáticas

Repetidas imagens que se acumulam

Em embalagens desiguais

 

Começo sempre pelo final, 

Separando feliz de quase feliz,

Dor de cicatriz,

professora de aprendiz

 

Na seguinte categoria, a matéria prima,

A coisa se complica

Uma semelhança pode ser mera coincidência,

vidro nunca será diamante bruto

 

Com muito consumo,

Por fim, consigo entender

a natureza de cada substância

e dar a cada peso o seu devido produto

 

Entre recicláveis, perecíveis e impermeáveis

Decido o que entra e o que sai

O que deixo pra trás,

Divido entre hereditários e descartáveis

 

O que levo comigo,

um resumo de tudo que não foi vivido

é a esperança de encontrar no próximo destino,

um armário definitivo





Meu erro, meu desejo

11 10 2009

 

Brincar de pique-esconde

Cadê você?

Brincar de faz de conta

Fazer o que?

 

O dia terminou mais uma vez

e você não veio

 

Insiste em nosso erro,

rejeita meu abraço

Olha discretamente de lado

E se camufla de paisagem

 

História sem fim,

sem final que condiz

 

Espero uma ligação,

uma mensagem antiga

É suficiente,

amizade consentida?

 

Cabelos castanhos,

de tão vividos,

revelam raios

cinzas e brancos

 

Nossos netos contarão nossa história

E seguiremos In Memoriam

 

Começar do zero é impróprio

Quando a matemática revela

Um coeficiente numérico

em desordem

 

Você bem sabe,

não disfarce

O medo de errar é um engano

Enganar a si mesmo é tacanho

 

Se os anos sobrepassam,

que se danem

Viveremos mais

Se o coração está em uso

 

Desperta meu desejo mais uma vez

E aqui estarei,

cheia de impulso

Batimentos e nomes imprópios

 

Verdades orgânicas





Meu erro

11 10 2009

 

Foi pensar que a fruta dá fora do tempo,

em estufas populares

Foi caminhar a passos

que minhas mãos não alcançavam

Foi entrar no mato

das espécies manipuladas

 

Ou, talvez

 

Meu único erro foi acreditar

no significado concreto das palavras,

com uma fé religiosa na gramática

 

Elaborei toda as perguntas,

ofereci todas as respostas

Mas deixei a subjetividade

entrar pelo vão dos meus critérios mais valiosos

 

Sai e entrei várias vezes do problema

para que não escapasse nenhum ângulo

Mas me neguei a aceitar

a verdade irrefutável da folha em branco

 

E como se não bastasse,

Segui errando

 

Com o lápis na mão,

Gastei até a última ponta de esperança

em revelar aquilo que só eu enchergava

 

Sublinhei demasiadas qualidades,

Risquei alguns defeitos,

Circulei o que mais interessava

 

Um esforço que, no final do dia,

só revelou minha mediocridade





Aquele caso

11 10 2009

 

Alguém me disse

Que você foi o primeiro a pisar no Everest

Quando seu andar ainda era cego

Que aprendeu a pintar a Monalisa na creche

Que falou Abracadabra antes de ver a cara do médico

 

Aos 7 anos discutiu a relação com seu urso de pelúcia

Aos 10 já tinha dado 3 voltas ao mundo

Aos 13 fez sua primeira vítima

Uma mulher com 33 anos e muita volúpia

 

O colégio pra você foi todo um magistério

Onde nem os CDFs eram aprovados por mérito

A universidade era seu lugar predileto

Para colecionar livros e adultérios

 

Sua profissão sempre foi um mistério

Uns suspeitavam de trabalhos com a CIA

Outros diziam que você vivia do amor das mais ricas

Ou que algum alienígena te contratou para vasculhar o universo

 

Quem sabe, se no final de tanto achismo

Você não acabou aposentado por invalidez

Triste e solitário,

Como um simples funcionário de cartório





Depois de você não existe nada

11 10 2009

 

Prefiro morrer de uma só dose de ousadia

Que passar a vida justificando atos covardes

Nem todos estão preparados para entender

A nobreza da egoista verdade

Nem todos são capazes de suportar

Seus fantasmas antes que a vida se acabe

A natureza de alguns é fácil de semear

Outros necesitam mais ramos

Em secas ou tempestades,

De uma forma ou de outra, nasce

O fruto não é tão importante como presume

As folhas que caem lentamente

com a volúvel visita dos ventos

são as verdadeiras protagonistas

desse ciclo de renovação

Até que um dia tudo parece ir mais devagar

A mudança de cores, as flores que insistem em brotar

Tudo encontra sentido

E as desculpas que antes eram álibes

Para as experiências de mera casualidade

Desaparecem junto com todas as incertezas

e a insignificância de alguns detalhes

Ainda que se busquem palavras

para explicar esse fenômeno tão natural

Ainda que se necessitem provas para diagnosticar

a preguiçosa passagem do tempo

seriam inconclusivas e ofenderiam

a beleza das folhas que nascem





Equação

11 10 2009

 

Metade vazia

Cheia de espaços reservados

Uma fome febril,

que diante do que passa,

Consome e se desgasta

 

Metade ocupada

de rápidos registros

e toda espécie de lembranças arquivadas

um pequeno sopro

e desaparece como se nada

 

O que levar

Nessa estrada esburacada

É um exercício de escolhas acertadas

Um desprender e um desenterrar

Pura garimpagem

 

Encontrar

A razão de tudo isso

Ter uma conclusão exata

É tão provável

Como um labirinto sem trapaças

 

Talvez sem traumas

ou substâncias raras

Sem gritos

ou grandes escaladas

Sem presepada

 

Apenas e somente

Cinco minutos de silêncio

Uma dose de boa vontade

Mil voltas ao mundo

E esse mundo se desarma





Porque ela não gosta de mim

11 10 2009

 

Bebo demais

Fumo demais

Me visto mal

Limpo o nariz na mesa

Grito muito

Falo mais que escuto

Tenho ouvido surdo

Sou preguiçoso

Sou covarde

Reclamo de tudo

Espero sentado

Não conheço nada do mundo

Não me interesso por conhecer

Não sei fazer piada

Não entendo uma piada

Complico o que é simples

Sou simplório em quase tudo

Não gosto de estudar

Não sei trabalhar

Durmo muito de dia

À noite quase não durmo

Atendo mal quem não conheço

Atendo mal a qualquer preço

Não sei me controlar

Não fui educado

Sou o fruto do acaso

Sou um emergente nato





Menina dos olhos

11 10 2009

 

A sensibilidade, a comédia, o austruismo

A imperfeição dentro da modéstia

A humildade dentro da carência.

 

A armadilha montada

com a esperança de ser descoberta

A face meio coberta

 

A fantasia de mocinha

no meio de um faroeste

Blindada a qualquer ataque massivo

 

A beleza incomum, curiosa

Que pede uma segunda opinião,

um caminho sem volta

 

O orgulho dos entes queridos

A queridinha dos desvalidos

A antíntese da mulher veneno

 

A paciência sem fim

O fim que surpreende

no meio de um tempo tranquilo

 

Entre tantos pontos frágeis,

a esperança de encontrar

uma pedra no caminho

Sua salvação





Fora da ordem

11 10 2009

 

Não vou seguir nenhuma lógica.

O mundo está louco e ninguém notaria.

A comédia passou dos limites, virou tragédia e a tragédia, final feliz.

Os mocinhos são antiheróis, os bandidos perderam o glamour.

Os covardes são vitoriosos, numa luta onde ninguém sai ferido.

Cada relógio tem seu fuso própio, mas seguem sem nenhum destino.

A educação é multidisciplinar, multimídia, multiplicadora de vazios.

Valores são os gastos com telemarkting, internet a cabo e promoção relâmpago.

As palavras de moda já não são palavras,

mas abreviaturas e carinhas expressivas

Plataforma Mac é mais importante que seu própio conteúdo.

Design virou religião. Religião virou comércio.

E comércio virou qualquer coisa que se vende por ai.

As ruas estão cheias de detetives, espiões da própia estupidez.

Reúnem Gigabytes de informação e não sabem o que fazer com ela.

Um corretor da bolsa passa o domingo teclando com uma esquimó,

Mas não conhece o porteiro do seu prédio.

E todos os dias pede pizza a domicilio.

No meio de um vocabulário tão resumido,

as únicas palavras difíceis são palavras de impacto.

Reciclagem, sustentabilidade, responsabilidade social.

Por um impacto ambiental de que muito se fala e ninguém escuta.

Se uma idéia é copiada por mil, é pirataria.

Se é copiada por dez, é investigação científica.

Cada ano que passa, ganhamos um ano mais de vida

Pela evolução da medicina, da civilização, da higiene coletiva

E aqueles 90% de capacidade cerebral niguém descobriu como se utiliza

A sinceridade virou álibe para a ofensa

E a mentira se camuflou de meias verdades e silêncios escorregadios

A igualdade só é aplicada à zona industrial

E a diferença não passa de uma atração de circo

A intimidade se transformou em reality show

E a realidade, quando sai dos bastidores, vira making off

Hoje existe manual pra tudo

Como brigar, como fazer a pazes

Como explodir, como atingir o nirvana

Paleativos contra necessidades reais e profundas

É como viver numa grande ditadura,

sem um grande chefe de estado,

mas milhões de soldados dispostos a perder a vida.





Mi aire

11 10 2009

 

Que sorpresa nos traen los días

En lugar de chocolate, dulce de leche

En lugar de lágrimas, lágrimas de risas

 

Tan sencilla es la naturaleza

que las nubes en forma de caracoles

se despejan en minúsculas gotitas

 

Agua que limpia las marcas de ayer

Con la sutileza de un pájaro sobre el río

en búsqueda de comida

 

Pájaro de acero azul y blanco

Un color para la sensibilidad

otro para el encanto

 

Sus mascaras de oxigeno están intactas

Cuando sabes conducir la vida

No hace falta mas que una diretriz

 

Después de tantas giras por el mundo

Su trayecto es estable

Sus maniobras bien definidas

 

Por merito o casualidad,

abajo le espera una puesta de sol

y una noche tranquila





Chegou sem avisar

11 10 2009

 

Não vou fingir

Pensar em voz alta que não pensei

Para enganar a voz passiva

Dos meus desejos

 

Sonhei com cada detalhe,

cada segundo desse encontro,

com tanta intensidade,

que chegou antes do amanhecer

 

Ainda estou de pijama,

mas quase pronta

Espere 5 minutos lá fora

Leia um pouco a minha história

enquanto passo o batom

 

Não bata na porta

ou o lápis se borra

Não ligue o pisca alerta

ou meus olhos se assustam

 

Esse não é precisamente

Meu ritmo favorito

Mas foi assim que aprendi

a confiar em nós como somos

 

Com tantos idiomas,

sei que é capaz de entender

minhas palavras retorcidas

Chega de entrar pela porta dos fundos





Majestade

11 10 2009

 

O sol é sábio e senhor das soluções

Gradativamente, ele nasce

Repentinamente, aquece o que a noite deixou

 

Ajuda a despertar dos pesadelos mais estranhos

Do sonambulismo facultativo,

Da falta de direção

 

A luz que atravessa árvores com discrição

É a mesma que invade janelas sem persianas

 

Em casos mais graves,

em doses de alta concentração, queima

em falta, a vida se aprisiona em degraus cinzentos

 

Mas quando brilha, brilha para todos

que estão ao seu alcance





Casual

11 10 2009

  

Vem de ocasional,

Sem causa, nem regra definida

Vem de fora pra fora,

Porque dentro não entra

 

Em tempos de agora

Mais comum do que penso

Sem pensar, melhora

Sem melhora, não relembro

 

Confissões orgânicas,

com detalhes sem importância

Só janelas abertas

para refrescar o ar humidecido

 

Dias diferentes,

competentes em si mesmos

alguns mais repetíveis

outros mais sonolentos

 

Uma tal liberdade

de não dizer o que penso

Uma sinceridade calada

e um prazer intenso





Dor

11 10 2009

 

A derme banhada de fogo

descobre o escasso conteúdo

Cada grama que se queima

destrói mil possibilidades

de uma nova cicatriz

 

O sangue que aparece entre cada fisura

está contaminado por algum vermicida

Ou, talvez, algo mais forte

Quando bebi desse veneno?

 

Todos os pontos são inúteis

no meio de tanta descostura

no meio da amnésia seletiva

e dos glóbulos vazios

 

Será cegueira diabética,

por me lambuzar de desméritos,

ou elefantiase crônica?

Serei menos importante do que parece

 

Sei que tenho a culpa

de sair na chuva com resfriado,

de andar descalça em chão gelado,

de tomar sorvete com focos de pus

 

E quando o pulmão pára de gritar

esqueço os dias de febre

e volto outra vez

aos choques térmicos

 

Por isso serei fiel à anamnese

Contarei a verdade e cada detalhe

E se tiver que entrar no antibiótico, entrarei

Porque analgésicos já não funcionam





Gotejando

11 10 2009

 

A gota inesperada

Que cai depois de uma tempestade

entre os toldos das lojas abertas,

Pesada e incômoda,

Não chega ao solo

 

Meu guarda-chuva é inútil

Entre os diminutos espaços

Entre o querer passar

E o deixe que passe

 

Meu tecido não nota sua presença

Até que as cores vivas e conformes

Desaparecem em borrosas manchas

 

Meu olhar não suspeita

De tamanha amplitude

Da rapidez que se move,

do jogo de luz

 

A minha sorte é que destrás dessa,

vêm outras mais

Uma chuva completa

Já não resisto a me molhar





Começar do zero

11 10 2009

 

Quero essa simplicidade

Dos sábados e domingos

Sem muito argumento

Uma mina de desejos

e silêncios consentidos

 

Quero seu olhar fugidio

Refletido em minha pele

Quero abrir a jaula das minhas preces

e devorar o que houver de bonito

 

Que essa felicidade provisória

seja  indefinida

que a aurora seja um bom dia

e o começo de uma noite tranquila

 

Quero despertar com cicatrizes

Mas nenhuma ferida aberta

Sem fantasmas,

nem personagens de ficção

 

Minha imaginação,

que se perca na rotina

dos seus beijos

 

Minhas certezas,

derrubadas pelo tremor

das minhas pernas

 

Meu destino,

um caminho incerto

entre as dobras do seu lençol





Dignidade

11 10 2009

 

À luz das covardias do mundo,

às margens da fraqueza,

dos incertos futuros,

brilha uma semente de humildade

Em algum lugar desse absurdo,

existe um poço pequenito e salobre,

mais puro que qualquer outro

Um vestigio do que restou

Um fragmento do que pensou,

porta-vozes de causas perdidas,

Filósofos e Utopistas

Contra e qualquer incerteza,

ainda segue aí

Dividida em porcentagens desiguais

Que bem veste a uns

E que falta nos faz

Palavras vazias e corrompidas,

em ouro, óleo, euro,

curvas perigosas

rodeadas de azar

A tudo desvia

E se um dia cai,

Cai vencedora, antes que vencida

Porque sua própria história

Não merece honras, nem glórias,

Merece simplesmente a verdade





Lágrimas cristalizadas

11 10 2009

 

A alegria escondida,

sufocada em repetidas

e reeditadas imagens,

singelas, necessárias,

sem as quais, não vivo,

com as quais, sobrevivo,

é uma sequência

de fotogramas inacabados

 

Quem interrompeu

essa felicidade?

A simples rotina

A cansativa natureza

daqueles dias

Sua voz passiva

Minha perversa curiosidade

em uma nova embalagem

vazia e covarde

 

Se o tempo caminhasse invertido,

Naqueles dias de pensamentos nublados,

Amarraria uma corda entre nossos laços,

colaria sua pele na minha boca

para escutar o que meus olhos negavam

para sentir que esse sabor cítrico e adocicado,

só você tem

 

Mas o tempo passa, indiferente

Para um presente distante

E um futuro calado

O direito a brincar,

sem consequência,

Perdi em alguma

de tantas travessuras

adolescentes





Passo a passo

11 10 2009

 

Aprendi a caminhar sozinha

Deixo que minhas pernas me levem,

enquanto me dedico a ver e a enxergar

Na minha frente,

vai uma senhora cheia de compras

Com o macarrão quase pra fora,

tenta se esquilibrar nos minúsculos saltinhos

Ninguem parece ajudar

Ofereço ajuda

Coloca todo seu orgulho pra fora 

e me dá mais uma de suas recusas

Sigo viagem

Na esquina,

um casal se beija como todos os dias,

mas ainda desperta olhares

Talvez, pelo excesso de barbas

Sinal vermelho,

paro e me divirto

Vem de lá uma criança

amarrada num carrinho

Tamanho já tinha

pra levar outra nos braços

A mãe, é claro, 

lê distraidamente sua revista

Cruzo e meu olhar se esbarra

num homem bonito

Belga, eu acho

Aonde vai tão bem vestido?

Bem afeitado,

perfume francês dos caros

E essa cara de menor abandonado?

Ah, leva uma pasta cheia

de currículos de uma página

Dou meia volta e olho pros lados

As vitrines já mostram o próximo destino

Tendência a ser igual, 

marcada pelo desejo de ser diferente

Melhor continuar meu caminho








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