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Que adianta fugir
e adquirir forçosas e deslumbrantes máscaras.
experimentar os limites opostos
da dor e do perdão,
da sede de desejo e rejeição.
Ver sofrer a mais de um
e simular o sofrimento
que verdadeiramente sinto
por motivos contrários à minha razão.
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Que adianta calcular
tantos dias de abnegação,
acreditando ser possível
se transformar em pessoa imune.
Resistente aparência que ilude
apenas a superfície das relações.
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Que adianta defender
teorias fáceis e facilitadoras,
regras ditadas por gente inocente,
e comprovadas por mentiras disfarçadas,
jogos de tentar justificar aquilo que não somos.
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Que adianta seguir os conselhos do meu eu
Confuso, dentro da sua maturidade exigida.
Perverso, traduzido em bondade assistida.
Solitário, em meio a tanto auto-controle.
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Que adianta ser feliz,
se conto os minutos para sentir o sabor
agridoce das minhas próprias ilusões,
sem ruídos ou tatuagens,
apenas eu, você e uma história guardada.
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Que adianta ser tudo isso,
vencer, sofrer, vencer,
concluir atos inteiros de peregrinação,
fechar conceitos, dar conselhos de superação,
vender o que não acho que sou.
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Que adianta fechar os olhos uma noite
e projetar um futuro diferente,
sem sua presença entre as linhas
mais suaves do meu corpo.
Se ao abrir, você reaparece idêntico,
coincidindo com meu ar, meu chão,
destapando as armadilhas que tenho preparadas.
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Como é possível você saber
que depois de tanto tempo,
eu seguiria ali, sentada,
algo mais séria, blasfêmica,
mas com a mesma essência
que tanto tentei te explicar.
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Como queria te dizer
que esse lugar já está ocupado,
que as regras do jogo mudaram
e nada do que me dissesse mudaria meu estado.
E finalizar com um simples:
Por favor, volte ao seu lugar,
que meu passado tem dono,
mas o meu presente acaba de começar.